quarta-feira, 10.03


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Marcelo Alvares é psicólogo formado pela USP e trabalha na área da dependência química. Iniciou sua carreira cuidando de dependentes de crack, cocaína, anfetaminas e principalmente, usuários de múltiplas drogas. Hoje atende pessoas com todos os tipos de dependência química. Mas seu olhar atento volta-se para as club drugs, que tem como ícone o êxtase.

Já passou pela UNIAD - UNIFESP, GREA - FMUSP e atualmente dedica-se ao atendimento de dependentes químicos no CAPS álcool e drogas de São Mateus e no seu consultório particular. Apaixonado por música, baladas, psicanálise, artes e pelo trabalho, se esforça para compreender o fenômeno das drogas na vida e abraçar todas as suas paixões ao mesmo tempo.

Longe da repressão ou da apologia, só quer trocar idéias, escutar, refletir e esclarecer mais sobre as drogas.
Amantes da música eletrônica, uni-vos!



Ultimamente, tenho estudado e refletido sobre o assunto dos entorpecentes sob uma perspectiva mais ampla e abrangente. O tema das drogas no mundo envolve também cultura, contra-cultura, política, o contexto sócio-histórico, mídia, direitos humanos, dinheiro, etc.

Poderia citar muitos exemplos que me obrigaram a refletir, como o faturamento anual do tráfico que gira em torno de US$ 500 bilhões ao ano, enquanto que os bancos lavam US$ 400 milhões ao dia. A repressão da maconha nos EUA está intimamente ligada a disputas políticas (sugiro o documentário GRASS, recentemente lançado pela revista Superinteressante). As drogas escolhidas pela juventude e o contexto social, as propagandas de cerveja e suas cifras, etc. Dentro de tantos assuntos que poderia abordar nesta ampla linha de raciocínio, decidi discorrer sobre um tema bem específico: música eletrônica, sociedade e ecstasy.

Acredito que a música eletrônica esteja relacionada com o contexto sócio-cultural contemporâneo, já que engloba tecnologia, informática, Internet e rapidez de batidas para pessoas da geração fast-food. Não acredito que o surgimento do ecstasy, com todos os seus efeitos, seja mera coincidência. Uma droga que acelera indivíduos acostumados com o ritmo rápido da vida e causa efeitos duradouros em quem sente tudo de forma efêmera. Possibilita uma empatia intensa àqueles acostumados as relações frias e insensíveis do cotidiano.

Uma droga pertencente a um dos movimentos de contra-cultura atuais, que resgata valores hippies de paz e harmonia em tempos de tanta guerra e violência. A música eletrônica encaixa-se perfeitamente como trilha sonora. Portanto, acredito que o ecstasy comporta valores atuais e efeitos que estão relacionados com a sociedade contemporânea.

Coincidência? Com certeza não! O mercado das drogas vende o que a demanda exige. Esta é descoberta através de pesquisas de mercado. A demanda de seus clientes depende do contexto social, cultural e econômico. Conseqüentemente, o mercado de drogas funciona como qualquer outro, ou seja, oferta versus procura.

Porém, a música eletrônica não é apenas a trilha sonora da história das drogas atuais e da sociedade contemporânea. Isto é apenas uma parte e não o todo. A música eletrônica também engloba talento, criatividade, vida, sensibilidade, arte, expressão e inovação.

Eu sou totalmente contra qualquer tipo de rótulo e/ou generalização relacionada ao uso de drogas. Por exemplo, eu não acredito que todo fã de reggae fume maconha, todo roqueiro seja alcoólatra, todo caminhoneiro tome anfetaminas para dirigir em grandes jornadas e nem que todo amante de música eletrônica tome ecstasy. Toda a unanimidade é burra!

Fico contente ao navegar pelo Orkut e avistar comunidades como: "Eu só vim pra dançar", "Anti-glamourização das drogas", "Plur my Ass", "Não à mídia negativas das raves", "No chacota", "No drugs just eletronic", entre outras que refletem uma juventude que não se encaixa só no perfil, como já ouvi por aí, "música eletrônica só se ouve bem louco...".

Fico mais feliz ainda ao saber que muitos estudiosos da minha área têm pesquisado um novo perfil de indivíduos, os jumpers. "Os puladores" são aqueles que freqüentam eventos de música eletrônica só para "pular", ou seja, dançar. Já ouvi falar de estudos que comprovam que, sob certas circunstâncias, a música eletrônica não é apenas ouvida e sim sentida pelo nosso corpo, através de freqüências específicas, como as emitidas pelos subgraves.

E reservo um grande final: o Dia Municipal da Música Eletrônica. A vereadora Soninha Francine, também colunista deste site, teve este projeto aprovado e decretado na Câmara Municipal de São Paulo. Agora, todo último domingo de setembro é o Dia Municipal da Música Eletrônica.

O universo da música eletrônica tem drogas como qualquer outra cultura ou estilo de vida. Mas a e-music é muito, muito, muito mais do que apenas isso.

Para mais detalhes sobre o Dia Municipal da Música Eletrônica: Clique aqui

Marcelo Alvares
marceloalvares@terra.com.br

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Total: 10 Comentários
Veja Todos os Comentários

ENVIADO POR: lord kill (killv8turbo@hotmail.com)
Amigo na boa, entra no site www.esquadraopocos.com na sessao zen noçao e aprenda um pouco mais sobre o plur depois pense duas vezes antes de apoiar comus como "plur my ass"
ENVIADO POR: GILSON TADEU ASSUNÇÃO (gtbb@ibest.com.br)
Parabéns amigo! Conheço muitas pessoas que vinculam música eletronica com drogas, seu texto pode diminuir a ignorância destas. Gosto de TECHNO DESDE 1985, nem passa por minha consciencia abandonar este estilo(preferido)musical.Ajuda a sanar o stress do dia-a-dia ao mesmo tempo que provoca adrenalina em ouvir e dançar seje em casa, carro ou em raves. Até mais
ENVIADO POR: Shaila (shailinhapsy@hotmail.com)
Parabéns pela sua matéria!Fiquei encantada,pela sua informação...Eu frequento festas de musica eletronica desde 15 anos e hoje tenho 21,já fui em vários festivais no Brasil e fui no Full moon (Alemanha) e no Boom festival (Portugal) e eu desejo para todos que um dia na vida tenham a oportunidade de participar de uma festa dessas,onde a paz,o amor,o respeito e a união reinam,decorações fabulosas,profissionais (djs) sempre bem informados e trabalhando para que a musica seja a trilha sonora dos melhores sentimentos no mundo .É raro hoje em dia você poder deixar o seu calçado no chão e sair do lugar,voltar 3 hrs depois e continuar intacto,ou ter sempre alguém disposto a fazer amizade,te salvar do apuro mesmo que seja com um gole de água ou um sorriso!As festas são muito mais que drogas ou preconceitos,são uma forma de viver e ver o mundo!Obrigada pela matéria.Vou enviar um texto o qual eu gosto muito Espero que goste.Se quiser mandar e-mails ou entrar em contato. Manifesto Trance Escolhemos o êxtase como estado emocional Escolhemos o amor como nutriente Escolhemos a tecnologia como vício Escolhemos a música como religião Escolhemos o conhecimento como moeda E não escolhemos nada como política Escolhemos a utopia como sociedade, ainda que saibamos que nunca acontecerá Você pode nos odiar Você pode nos ignorar Você pode não nos entender Você pode nem mesmo saber da nossa existência Nós apenas esperamos q você n se importe em julgar-nos Porque nós nunca julgaremos você Nós não somos criminosos Nós não somos desiludidos Nós não somos viciados em drogas Nós não somos crianças ingênuas Nós somos uma massa, uma aldeia tribal global que transcende as leis feitas pelo homem, a física, a geografia e o próprio tempo Nós somos A Massa Uma Massa Até que o sol nasça para queimar nossos olhos ao revelar a realidade distorcida de um mundo que vocês criaram para nós, nós dançamos vigorosamente com nossos irmãos e irmãs em celebração da nossa vida, da nossa cultura e dos valores nos quais nós acreditamos: Paz, Amor, Liberdade, Tolerância, Unidade, Harmonia, Expressão, Responsabilidade e Respeito Nós escolhemos a ignorância como nosso inimigo Nós escolhemos a informação como nossa arma Nós escolhemos o crime de burlar e desafiar quaisquer leis que vocês criem para nos impedir de celebrar a nossa existência Mas saiba que enquanto você pode acabar com qualquer festa em qualquer noite em qualquer cidade em qualquer país ou continente deste lindo planeta, você nunca poderá acabar com a festa inteira Você não tem acesso a esse controle Não importa o que você pense a música nunca vai parar A batida do coração nunca vai desaparecer A festa nunca vai acabar



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